28 janeiro 2010

Comunicação com os mortos nos filmes de Hollywood

Por Ciro Sanches Zibordi
Ontem, à noite, parei por um instante para ver um suspense na TNT (canal por assinatura), não apenas a título de entretenimento, mas principalmente porque suspeitava de que o filme enfatizaria alguns conceitos sobre paranormalidade.

Minha suspeita se confirmou. Um belo filme, com uma deslumbrante fotografia, protagonizado pela linda atriz Demi Moore, mas que procura incutir na mente das pessoas uma das duas doutrinas principais do espiritismo: a comunicação com os mortos. A outra é a reencarnação, que abordarei em outro artigo, se Deus quiser.

Nome do filme? Protegida por um Anjo, de 2005. Moore interpreta uma bem-sucedida escritora de livros de suspense cuja vida desmorona depois da morte de seu filho por afogamento. O acidente, em sua própria casa, ocorreu por um descuido dela e pela falta de preocupação do marido com o menino — filho apenas dela. Meses depois, ela resolve viajar para um lugar paradisíaco, na Escócia, à beira mar, para conseguir terminar seu novo livro, onde acaba tendo contato com espíritos e vê constantemente o seu próprio filho.

Não é a primeira vez que Demi Moore protagoniza um filme sobre paranormalidade. Ao lado do recém-falecido astro Patrick Swayze e bem mais jovem, ela participou de Ghost, em 1990. Swayze interpreta um jovem que perde, repentinamente, a vida, mas sua alma permanece na terra até que ele resolva o mistério que envolveu o seu assassinato. O filme é bem feito e prende a atenção. Mas promove a comunicação com os mortos, pois o espírito do rapaz consegue entrar em contato com a namorada, em uma sessão espírita.

Ghost não é o único sucesso de Hollywood que explora a paranormalidade. Quem não se lembra do assustador Poltergeist? Para quem não sabe, polter, em alemão, significa “ruído”, “barulho”, “estrondo”. E geist, “fantasma” ou “espírito”. Poltergeist diz respeito a espíritos que invadem casas, se movem e manipulam objetos, fazendo, assim, barulho. O filme, produzido pelo brilhante Steven Spielberg, em 1980, retrata uma família que é aterrorizada por espíritos de pessoas enterradas embaixo da casa.

Poltergeist é diferente Ghost. Não comunica com tanta clareza a doutrina espírita do contato com os mortos como o segundo. Mas, sem dúvidas, abriu o caminho para essa modalidade de filme, que transformou o diretor M. Night Shyamalan numa grande celebridade hollywoodiana, com a produção de O Sexto Sentido — este comunica de modo ainda mais enfático que Ghost o contato com os mortos.

Em O Sexto Sentido, de 1999, o ator mirim Haley Joel Osment interpreta um problemático e isolado garoto que afirma ver os mortos. A sua frase: “Eu vejo pessoas mortas” tornou-se umas das inesquecíveis do cinema, ao lado de “Meu nome é Bond, James Bond” (007), “Um grande poder traz grande responsabilidade” (Homem Aranha) — esta até “pregadores” usam para animar auditórios! —, “Hasta la vista, baby” (O Exterminador do Futuro 2), “E fique com o troco, seu animal” (Esqueceram de Mim), etc.

No aludido filme, o garoto, pouco a pouco, vai interagindo com os espíritos. No fim, ele tenta ajudar alguns — um deles é interpretado pelo astro Bruce Willis — a lidar com problemas mal resolvidos, a fim de tranquilizá-los. Esse filme que promove o espiritismo rendeu a seus produtores quase setecentos milhões de dólares (um dos mais lucrativos de todos os tempos).

Depois de O Sexto Sentido, outras produções que incutem na mente das pessoas a ideia da necromancia (gr. nekromanteía,as, “evocação dos mortos”, isto é, contato com os espíritos de pessoas falecidas) fizeram sucesso, como Os Outros (2001), com Nicole Kidman, O Chamado (2002), que fez muito sucesso, mesmo com atores pouco conhecidos, Vozes do Além (2005), com Michael Keaton, etc.

Está em cartaz no cinema, e fazendo muito sucesso, o assustador Atividade Paranormal, produzido em 2007. O diretor e os atores são desconhecidos, o filme foi produzido com orçamento modesto, mas a consagrada temática se repete. Muitos hoje estão se interessando pela paranormalidade e acreditando que podem mesmo se comunicar com espíritos de pessoas falecidas. Steven Spielberg assistiu ao filme, que retrata o pavor de um casal que ouve barulhos em uma casa, e se apaixonou pelo enredo. Isso contribuiu, e muito, para o seu sucesso.

As pessoas estão cada vez mais fascinadas pela paranormalidade e acreditando na possibilidade de conversar com os mortos. O que a Palavra de Deus diz a respeito disso?

Primeiro, a Bíblia condena a necromancia (Dt 18.10-12; Lv 19.26,31; 20.6,27; Êx 22.18; 2 Rs 21.6), uma suposta comunicação com os mortos, a qual é, na verdade, comunicação com os demônios (1 Sm 28.3; 1 Cr 10.13; At 19.19).

Segundo, à luz das Escrituras, pessoas mortas não estão disponíveis para contato físico (Lc 16.19-31). A morte é a separação entre o corpo (parte material) e o espírito+alma (parte imaterial). Esta, seja a do salvo, seja a do perdido, com a morte, retira-se imediatamente do corpo (Ec 12.7; 2 Co 5.8; Fp 1.21-23; 2 Pe 2.9; Hb 9.27).

Terceiro, os demônios podem se passar por pessoas mortas. O rei Saul foi enganado por uma feiticeira e pensou ter conversado com o profeta Samuel (1 Sm 28). O Diabo pode se transfigurar até em anjo de luz (2 Co 11.14; Gl 1.8). Para ele e seus agentes se disfarçarem de pessoas mortas é fácil. Por isso, toda e qualquer manifestação sobrenatural que contrarie a Palavra de Deus precisa ser vista à luz de Deuteronômio 13.1-4.

Em Cristo,

Fonte: Blog do Ciro