02 fevereiro 2011

Série - A Graça da Garça - Lobismo Eclesiástico

Eles bradam arrependei-vos sem arrependimento,
depois que conheceram as riquezas já não pregam o arrebatamento.
Não acho ruim ter mansão, nem carro nem condição,
nem lancha, nem ter dinheiro, nem jato nem avião.
Só digo uma coisa meu irmão, melhor prestar atenção:
"onde estiver seu tesouro estará também o coração."

 
 
Eles bradam como João Batista e são mestres,  

mas ninguém fica no deserto comendo gafanhoto e mel silvestre.
Terno de microfibra, sapato italiano modelo,
mas ninguém quer ficar no sol vestindo pele se camelo.
Numa coisa eles imitam a João Batista, reconheça,
receberam a missão de acabar perdendo a cabeça.
Loucos! E se hoje te pedirem a tua alma?
Louco! Pra que te servirá todas as palmas?
Louco! Se a selva de concreto se tornou tua mansão
não se esqueça que nela Deus soltou seu filho o Leão.




Essas evidências, identificam aqueles que perderam a paixão voluntária pelo ministério, e tornaram-se profissionais frios e calculistas de um cargo eclesiástico em benefício de si mesmo.


Qualquer semelhança aqui exposta, não é mera coincidência, são constatações factuais.


Gostam de poder, mas estranhamente se recusam a servir. Como amam falar em línguas estranhas, profetizar, revelar e demais peculiaridades do gênero (obs. Eu creio na contemporaneidade dos dons sobrenaturais). Mas tudo isso é canalizado para a promoção pessoal, pois não mostram o mesmo empenho na hora de dar atenção ao ser humano que precisa de um ombro humano para dividir suas mazelas.

Valorizam programações, mas menosprezam relacionamentos. Participam de todos os congressos, campanhas e eventos que lhe rendam marketing, mas não gostam de relacionamentos inter-pessoais com medo de ficarem vulneráveis e serem descobertos, ou por receio de tornarem-se meros mortais desgastando a auto-imagem.

Gostam de entradas triunfais, mas a saída tem de ser à francesa. Entram com a reunião começada e saem com ela terminada. São espalhafatosos em sua apresentação pública mas a saída tem que ser de “fininho” para não correrem o risco de atender alguém. Gostam de provocar expectativa em seus ouvintes para manter vivo o “mito” (valorização do mensageiro em detrimento da mensagem).

Esbanjam muito carisma, mas na mesma proporção lhes falta caráter. São de fácil comunicação e apresentação em público, mas é nos bastidores da vida onde cai a máscara e é revelado a podridão do ser. Casamentos e famílias falidas, vida financeira desregrada, politicagem eclesiática e secular a base de troca de favores, são só alguns exemplos da desfaçatez de valores éticos desses personagens.

Idolatram títulos eclesiásticos, não admitem serem chamados pelo nome. Sim senhor, não senhor, apóstolo, bispo, pastor, reverendo é essencial se quiser manter um bom relacionamento com “Sua Santidade”, caso contrário ficará relegado a indiferença ou serás responsável por um surto de crise de identidade na celebridade gospel.

Nas assembléias disputam os primeiros assentos, manter a pose é prioridade. Não lhe tome o assento de honra. Ele é capaz de te expor, envergonhar, difamar e até brigar em público para sair bem na foto.

7º Suas mensagens são sempre bombásticas, holofotes voltados pra si é questão de sobrevivência. A prédica deles mais se parece com produção “hollywoodyana”. Matrix, Jornada nas estrelas, Ghost, parecem produções de fundo de quintal perto de suas apresentações espetaculares. Não conseguem trafegar no normal (ordinário), somente no bombástico (extra-ordinário) que cause admiração (frenesi) nos seus espectadores.

8º Fazem de tudo para serem solicitados, mas o cachê tem de ser pré-combinado e pré-depositado. Aqui, vale até propaganda em rádio pirata. Tudo para a divulgação do “EUVANGELHO”. Mas nem pense em recolher uma oferta voluntária após a reunião, que você está fadado a ficar na mão.

9º Em suas preleções não faltam trilha musical, manipular emoções é fundamental. Histeria é alvo inegociável. Trilha sonora “Home Theater” manipulada por um sonoplasta com aumento de volume nas frases de efeito e diminuição nos momentos de comoção, fazem parte do show. Proporcionar uma reunião narcotizante, que mexa com as emoções, e tire o povo da realidade diminuindo a capacidade de raciocinar nem que seja por algumas horas, é sua especialidade.

10° Mostram zelo excessivo com as ovelhas gordas, descaso total com as ovelhas magras. Preocupam-se com o sofrimento dos irmãozinhos “empresários” que não tem quem lhes defenda, mas os irmãos mais pobres que já são experimentados na fé, esses se viram sozinhos. Como diria o “Justo Veríssimo”, personagem do Chico Anísio: “Eu quero que pobre se exploda!”.

A lista é suscinta para dar a oportunidade de interação a aqueles que já observaram tais desvios e sintomas e querem colaborar com as constatações para ampliarmos as informações no combate a essa doença crônica...

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