05 março 2010

As hesitações de Pilatos

Foto tirada em Yerushalaim, quando por bondade do Eterno estive lá no ano de 2007.

Desejando agradar a multidão, Pilatos soltou-lhes Barrabás, mandou açoitar Jesus e o entregou para ser crucificado Marcos 15.15Pôncio Pilatos, prefeito da Judéia, era um hábil administrador, mas às vezes insensível às hesitações judaicas. Nos evangelhos o vemos às voltas com um dilema, dividido entre a justiça e a conveniência. Por um lado, ele sabia que Jesus era inocente, e disse isso repetidas vezes. Por outro, ele temia as conseqüências caso não cedesse à multidão. Os evangelistas o retratam como “desejando soltar a Jesus” (Lc 23.20) e “desejando agradar a multidão” (Mc 15.15)

Todavia, ele descobriu que não poderia satisfazer a ambos os desejos simultaneamente. É interessante observá-lo tentando livrar-se do doloroso apuro em que estava. Ele tentou de quatro maneiras evitar uma decisão clara. Vejamos:

Primeiro, ele tentou transferir a responsabilidade a outrem. Ao descobrir que Jesus vinha da Galiléia e que, portanto, estava sob a jurisdição de Herodes, o enviou para lá. Herodes, porém, não encontrou base para as acusações contra Jesus.

Segundo, ele tentou fazer a coisa certa (soltar Jesus) com a motivação errada (por causa do costume da Páscoa), libertando Jesus como um ato de clemência, e não de justiça

Terceiro, ele tentou satisfazer a multidão com medidas paliativas, açoitando Jesus em vez de crucificá-lo.

Quarto, ele tentou persuadir a multidão de sua integridade (ao lavar as mãos publicamente) ainda que a contradissesse (ao enviar Jesus para a cruz). Lavou as mãos, mas sujou o coração! Ambas as atitudes foram um subterfúgio, uma tentativa de evitar um comprometimento.

Por que Pilatos foi tão fraco, um covarde moral? João afirma que os judeus gritavam o tempo todo para ele: “se deixares esse homem livre, não és amigo de César” (Jo 19.12). Isso definiu a questão. O assunto estava encerrado. Ele teve de escolher entre dois reis. Para sua vergonha eterna, ele fez a escolha errada. Escolheu ser amigo de César e inimigo de toda razão e justiça. Seu nome foi imortalizado na cláusula do credo que declara que Jesus “sofreu sob Pôncio Pilatos”.

Pr Marcelo de Oliveira

Bibliografia: Bekessy, Emery. Barrabás. Ed. Central Gospel
Stott, John. A Bíblia Toda, Ano Todo. Ed. Ultimato